Quem procura eletricista na Zona Sul do Rio costuma descrever o problema do mesmo jeito, seja morando em Copacabana, Botafogo, Flamengo, Leblon ou Laranjeiras: "tem uma coisa errada na elétrica". Só que a solução muda bastante conforme o imóvel. Num apartamento, o serviço depende do prédio. Numa casa, depende do terreno, do padrão de entrada e da exposição ao tempo. Vale conhecer os dois cenários antes de contratar.
Apartamento: a unidade é sua, mas a infraestrutura é do prédio
Dentro do apartamento você manda no quadro de distribuição, nos circuitos e nos pontos de tomada e iluminação. Da porta para fora, a história é outra: prumada, medição, barramentos e o quadro geral pertencem ao condomínio. Isso cria algumas particularidades que o eletricista precisa tratar logo no início:
- Comunicação prévia ao síndico ou à administração, e em muitos prédios a apresentação de responsável técnico e documentação antes de começar
- Horários de obra definidos pelo regimento interno, com restrição de barulho, uso do elevador de serviço e circulação de material
- Limite de carga contratada por unidade, que condiciona a instalação de ar-condicionado, chuveiro de maior potência ou carregador de veículo
- Necessidade de desligar a unidade com segurança sem afetar vizinhos, o que exige conhecer o quadro de medição do andar
Em prédios mais antigos, comuns na região, soma-se a isso a fiação original, muitas vezes de seção menor do que a demanda de hoje. O assunto aparece com mais detalhe no texto sobre reformas em prédios antigos em Ipanema.
Casa: mais autonomia e mais pontos para olhar
Na casa não há síndico para pedir autorização, mas também não há ninguém cuidando da parte comum por você. O padrão de entrada, o medidor, o aterramento e os circuitos externos são responsabilidade do morador, e tudo precisa seguir as exigências da concessionária para ser ligado ou ampliado. Os pontos que mais pedem atenção são:
- Padrão de entrada: caixa de medição, disjuntor geral e condutores dimensionados para a carga real da casa
- Aterramento: muitas casas antigas simplesmente não têm, ou têm um que se perdeu com o tempo
- Circuitos externos de jardim, piscina, portão eletrônico e iluminação, que exigem proteção própria e uso de DR
- Acréscimos feitos ao longo dos anos, como edícula, área gourmet ou suíte nova, ligados sem rever o quadro principal
O que as duas situações compartilham na Zona Sul
A proximidade do mar pesa nos dois casos. A maresia acelera a corrosão de conexões, terminais, caixas metálicas e quadros instalados em áreas expostas, e a umidade alta favorece mau contato e fuga de corrente. Por isso, material e acabamento adequados para ambiente úmido, vedação correta de caixas externas e revisões periódicas contam mais aqui do que em regiões afastadas da orla.
Outro ponto comum é o aumento de consumo. Ar-condicionado em mais cômodos, home office, cozinha equipada e carregador de carro elétrico elevam a demanda, e a instalação original raramente foi pensada para isso. Quando o disjuntor desarma com frequência ou a conta vem acima do esperado, vale ler também sobre disjuntor desarmando com frequência.
Como escolher o profissional certo para cada caso
Para apartamento, procure alguém acostumado a lidar com administradoras e regras de prédio, que entregue documentação e respeite horários. Para casa, priorize quem entenda de padrão de entrada, aterramento e proteção de áreas externas, e que saiba conversar com a concessionária quando houver necessidade de ampliação de carga. Em qualquer dos casos, peça um diagnóstico antes do orçamento e desconfie de quem fecha preço sem ver o quadro.