O chuveiro é, quase sempre, o equipamento que mais consome energia dentro de casa. Trocar um modelo de 4.500 W por um de 7.500 W parece uma troca simples, de dez minutos, mas muda bastante a corrente que passa pelos fios. Quando a instalação não foi pensada para isso, o resultado aparece de formas bem conhecidas: disjuntor desarmando, plugue derretido, água morna e, no pior caso, fio superaquecido dentro da parede.
Por que a potência muda tudo
A corrente que o chuveiro puxa depende da potência e da tensão da rede. Em 220 V, um chuveiro de 5.500 W puxa cerca de 25 A. Um de 7.500 W puxa perto de 34 A, e um de 8.000 W passa de 36 A. Em 127 V os números são ainda maiores para a mesma potência, o que torna esse tipo de troca mais delicado em casas ligadas nessa tensão.
Fiação e disjuntor são dimensionados para uma corrente máxima. Se o chuveiro novo passa desse valor, o cabo esquenta além do que a isolação suporta. O disjuntor existe justamente para proteger o cabo, e por isso ele precisa combinar com a bitola do fio, não com o chuveiro.
O que conferir antes de trocar
- Bitola do cabo. Para chuveiros de potência mais alta, é comum a necessidade de cabos de 6 mm² ou mais, dependendo da potência, da distância até o quadro e da forma como o cabo é instalado. Cabos de 2,5 mm² e 4 mm² costumam ficar no limite ou abaixo dele.
- Disjuntor do circuito. Ele deve ser dimensionado para o cabo existente. Trocar o disjuntor por um maior, só para parar de desarmar, é um erro perigoso: o disjuntor deixa de proteger e o cabo vira o elo fraco.
- Circuito exclusivo. O chuveiro deve ter o próprio circuito, saindo direto do quadro, sem dividir fio com tomadas ou outros aparelhos.
- Aterramento e DR. Por lidar com água, o circuito do chuveiro deve ter fio terra e proteção por dispositivo DR.
- Conexões. Emendas mal feitas e conectores velhos esquentam primeiro. Plugue ou borne escurecido é um sinal clássico de mau contato com corrente alta.
Sinais de que a instalação não aguenta
Alguns avisos aparecem depois da troca e não devem ser ignorados. O disjuntor desarma assim que o chuveiro é ligado na posição mais quente. A fiação ou a parede perto do chuveiro fica quente ao toque. Há cheiro de plástico queimado, o conector está derretido ou escurecido, ou o restante da casa perde força quando o chuveiro liga. Se algum desses sinais aparecer, o melhor é desligar o circuito e chamar um profissional antes de usar de novo.
E a entrada de energia?
Mesmo com o circuito do chuveiro em ordem, a entrada de energia também conta. Se a casa já tem ar-condicionado, forno elétrico e outros equipamentos pesados, somar um chuveiro mais potente pode ultrapassar a capacidade do padrão de entrada ou do disjuntor geral. Nesse caso, o ajuste vai além do chuveiro e entra no que chamamos de aumento de carga, que pode incluir a troca do padrão ou do quadro. Se o disjuntor geral cai com frequência, vale ler também o guia sobre disjuntor desarmando toda hora.
Quando chamar um eletricista
Se a casa é antiga, se você não sabe a bitola do fio que alimenta o chuveiro ou se o aparelho novo tem potência bem maior que o anterior, vale uma avaliação antes de instalar. A visita confere cabo, disjuntor, aterramento e conexões, e diz com clareza se basta trocar um componente ou se o circuito precisa ser refeito. É uma conta bem menor do que a de um fio queimado dentro da parede. A MCD atende mediante agendamento e passa o orçamento antes de qualquer execução.